O foco está em criar experiências personalizadas, o futuro passará certamente pela criação de uma rede estruturada de dados que representa as nossas vidas.

Recentemente, recebi uma notificação por voz da minha Amazon Echo, avisando-me que uma compra que fiz estava a caminho de casa. Estes alertas não são nada que a Amazon não faça há anos por email, mas confesso que recebi o aviso com alguma excitação. Excitação por estar diante de algo que via nos filmes e desenhos animados de ficção científica e que me fez pensar, novamente, nos novos caminhos da comunicação.

A minha interface com ele é o teclado. O meu interesse por conteúdos, marcas e propaganda é medido por cliques de rato ou toques em ecrãs. Se alguém do século XX soubesse o volume de informação que troco com as mãos, provavelmente acharia que não sou capaz de comunicar por voz. Já pararam para pensar que o que nos espera num futuro próximo é o “regresso” ao natural? Segundo um artigo da AdWeek, em 2019, nos EUA, vão estar em utilização 67 milhões de dispositivos assistidos por voz.

Toda a indústria de media, marketing e publicidade habituou-se à comunicação por imagens, vídeos, textos e áudio nas rádios e soluções, mas não por voz em via dupla. Esta ferramenta (produtiva, acrescente-se) é da responsabilidade dos vendedores, atendedores e outros “heróis” que representam as marcas quase que de forma invisível. Agora, com a inteligência artificial em dispositivos como os da Amazon – que possui cerca de 70% do mercado, segundo o eMarketer – ou as soluções da Google e Apple, que já conseguem imitar os discursos dos humanos e percebem quase de forma perfeita tudo o que lhes é dito –, parece que teremos novas oportunidades de comunicar e envolver os consumidores com marcas, produtos e serviços.

De resto, novas oportunidades e novos desafios vão pautar o mercado. Embora ainda estejamos a testar a tecnologia, já prevejo alguns desafios para as marcas que embarquem na utilização de voz. Como diz o meu sócio e mestre Alessandro Barbosa Lima, fundador do E.Life Group, não dá para fazer cinema a filmar teatro. Assim, não adiantará incluir interrupções comerciais por voz numa ferramenta que oportunamente chamamos de assistentes pessoais. Teremos que ter produtos e serviços bons o suficiente para poderem catalisar situações de suporte e assistência ao consumidor. Ou, em síntese, facilitar a vida dos clientes com a sua comunicação. E, finalmente, entender que haverá tempo e limites para essa comunicação por voz, que passará por mais questionamentos sobre privacidade nos anos que se seguem.

A boa notícia é que toda essa interação não está ainda disponível na maioria das situações, por isso será importante, a curto prazo (ou seja, nos próximos cinco anos), apreender todas as informações necessárias e definir uma estratégia digital. Se, por agora, o foco está em criar experiências personalizadas, gerindo tarefas e proporcionando entretenimento, o futuro passará certamente pela criação de uma rede estruturada de dados que representa as nossas vidas (o que precisamos; o que queremos; para onde vamos). E, num mundo em que a voz é rainha, o desafio será o ser “ouvido”. As marcas não querem ser um exemplo negativo por usar voz de maneira errada. Certo?

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